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Sobre hobbies e rotinas...


Essa semana, me deparei com o tweet ao lado, e achei uma das coisas mais verdadeiras e coerentes que li pela rede nos últimos tempos. Então, decidi iniciar esse espaço falando sobre nossas eternas incompletudes e insatisfações nessa vida.


No ano passado, me propus a passar um mês atrás de um novo hobby. Tudo isso aconteceu porque, em um arroubo de paixão e sem sequer perceber, o meu tinha virado trabalho. O pole dance foi meu passatempo por um ano, até que se tornou sonho, depois um extra, e hoje em dia, é meu ganha pão. Em algum momento desse movimento todo, passei a me sentir esgotada. Cansada por não ter um momento genuíno de não pensar em nada! Com a terapia, percebi que precisava de uma diversão que me desafiasse e tapasse o espaço esvaziado do lazer.


É difícil trabalhar com o que a gente ama, muito desafiador mesmo. Facilmente, caímos nessa ideia de "trabalhe com o que ama e não terá que trabalhar nunca mais!". Uma falácia. Me sentia sem ânimo, sem criatividade, sem tesão para criar, sem vontade de dançar (imagine!). O alerta vermelho piscou.


Dito isso, em um mês, fiz aulas de pintura, aulas de teatro, aulas de costura, surfei e ainda me arrisquei em um curso de edição de vídeo. O surf foi o que mais me cativou, na época fui convidada por uma aluna querida. Ainda consegui manter por alguns encontros, acordando cedinho, com as galinhas, pra poder pegar o horizonte de Jaguaribe ao amanhecer.


Recentemente, decidi fazer aulas de Zumba. Incrível! Uma das minhas maiores alegrias foi não me sentir pressionada a não errar. Lembro de dar passos malucos, fora do ritmo, cair na gargalhada por detrás da máscara. Serotonina pura. Saí de todas as aulas com os ânimos lá em cima! Merecidamente "endorfinada".


Recebo alunas, diariamente, dos mais variados ramos empregatícios. Geralmente, bem sucedidas e com a carreira nos trilhos. São constantes as queixas de burn out, mente cansada, frustrações do dia a dia; e sempre - sempre - as aulas são finalizadas com alguém comentando "nossa, como o pole é bom!" ou "essa é a melhor hora do meu dia!" "O pole renova minhas energias" "A gente sai daqui tão bem…"


Achar um divertimento que te traga prazer, conhecimento, autoconhecimento, contato com a natureza, é fundamental para sobreviver à rotina caótica que a gente vive; para suportar a crise econômico-política pela qual nossa geração passa. Não importa se você ama seu trabalho, ama seu/sua parceiro(a), tem boas condições financeiras. Somos naturalmente vazios; uma parte sempre vai faltar. Algo sempre vai parecer fora do lugar depois de um tempo. É preciso afeto consigo e a boa e velha paciência.


Faça o teste.

Se aventure. Saia do looping trabalho - casa - dormir. Tente achar alegria em algo além de beber/comer. Coloque um extra no meio da sua semana, algo que você se empolgue, que te dê uma alegria quase infantil, naquele dia que você sempre precisa de um gás a mais.


Basta aceitar: somos densos, complexos, eternamente insatisfeitos; mas o pensador francês estava certo quando apontou que o supérfluo é extremamente necessário.


Afinal, há quanto tempo você não faz algo pela primeira vez?


 
 
 

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